sexta-feira, 7 de outubro de 2011

gratificação; ou "quando as coisas dão certo"

você conhece alguém e esteticamente essa pessoa é incrível - nem tanto assim, mas o tanto necessário pra você querer muito e não o suficiente para lhe parecer impossível. além disso ela lhe agrada. alguém interessante. aquele tipo que se espera outro almoço para encontrá-la de novo. aleatoriamente. é apenas alguém de um outro círculo que você não verá tanto normalmente - isso é melhor ainda. mas a melhor parte mesmo é quando, inesperadamente, ela está no sofá da sala da sua casa. e você vê algo maior; não é aquilo que você sempre quis, mas é aquilo que queria desde o primeiro momento e só tinha esquecido. surpresas são melhores do que aquilo que se espera, não? e mesmo dormindo, sei lá, uma hora e meia... hoje eu to elétrico. vontade daquilo de novo e de novo e de novo e de novo e isso aí. agradáveis surpresas. não nos preparamos pra elas. e nem precisamos.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

adendo/correção

passaram-se alguns dias desde que postei um texto sobre a máfia do honda fita. uma gangue rival explodiu o honda fita. agora charles james leva as crianças pra escola em um fiat punto.

sábado, 1 de outubro de 2011

a máfia do honda fita.

crimes começam com partners in crime. nesse caso, são dois. se fosse um filme seriam o poderoso chefão e a poderosa chefã. eles só são vistos ocasionalmente no banco de trás do honda fita. que sempre é dirigido por charles james.
charles james watson, um distinto senhor que sempre ouve billie weekend, é o homem de confiança dos parceiros. ele os representa em transações, coordena operações, dirige o carro de fuga, e leva os filhos do casal para a escola. os filhos do casal são quatro; lilica ripilica, tigor t. tigre, bad boy, e sexy machine. o bad boy sempre vai no banco da frente.
as únicas pessoas que andam no honda fita além dos partners in crime ou seus filhos são os capangas de confiança. temos por exemplo coxinha, o homem da metralhadora, que atira sem perdão; zanoto, o menino que carrega as drogas ou as armas ou o dinheiro ou os corpos; dalai e seu carisma, o que lhe torna ideal como agente infiltrado. o grupo da máfia abrange também lord, o informante do sumbundo;e pimpinelas, um pimp japonês que importa aquilo que se desejar e fornece o transporte de mercenários.
trinta gramas. i like cookies.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

suspense.

aquele frio na barriga que aparece quando não se sabe o que pode aparecer. imagino o que é maior; é o número de tipos de coisas diferentes que podem aparecer, ou é o número de tipos de coisas diferentes que se pode imaginar? nessa hora estão indo embora, e ao mesmo tempo estão chegando.

domingo, 11 de setembro de 2011

chocolate

coisinha gostosa. pequeno adorno. pode ser como uma lata de cerveja, ou uma maçã, ou qualquer outra irrelevância momentânea. chamar isso de irrelevância é um erro enorme da minha parte, porque naquele momento é a coisa mais relevante do universo inteiro. o universo inteiro. li em algum lugar sobre pandeísmo, a idéia de que deus é o universo - como ele era onisciente, sabia de tudo que poderia acontecer, exceto de como seria a existência sem sua própria existência. perturbado por isso, ele se suicidou, explodindo - o big bang. então eu sou deus, e a tela aonde escrevo também, e o mendigo no quarto, e tudo que vejo. beleza, aí tem o rolê da relevância do chocolate. porque ele é tão deus quanto eu, ou você. mas qual o sentido disso tudo? vejo como irrelevante. um pequeno adorno.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

foi, vai ser, tá sendo.

de tanto repetirmos essa frase que saiu de um vídeo engraçado ela virou lugar comum. mas não é só uma frase engraçada, diz muito sobre continuidade. gostei, vou gostar, estou gostando. gostei de você pelos momentos junto e toda a fumaça e a vodka e as risadas. vou gostar de você quando te ver de novo - essa certeza é uma das poucas que tenho. e estou gostando porque sinto saudades. daquilo que foi. vai ser. tá sendo. como eu vi em um filme, você não é o que faz, mas sim seu passado. relaciono com aquela idéia de self narrativo. então também sou um pedaço de você que está em mim. um pedaço de todas as pessoas. como vi em outro filme, todos somos a mesma coisa, o mesmo lençol; e esse turbilhão de coisas juntas vai e afastando da idéia inicial. mas escrever é contar uma narrativa, e a idéia surge enquanto se escreve, a partir do que escrevi. e vou escrever. e estou escrevendo. mas esse negócio de verde e cinza não sai da cabeça nem chega a uma conclusão. mas nada se conclui, não é? tartarugas profundas. vodka e fumaça. ainda não acabou. só vai acabar quando eu morrer. e sou invencível enquanto estiver vivo. fui, vou ser, estou sendo. e o cinza é aquele lugar pra onde o vento nos leva - acho que mesmo sem a coragem - pra nos fazer perceber o quanto o verde é bom. de novo, saudades.

ps. dedicado a livia kuga e victoria penachini

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

dar, e receber.

faz-me pensar sobre como é ter uma coisa por muito tempo, posteriormente pedir por ela e tê-la negada. é sentir-se como o bebê que teve a chupeta tirada. é um vazio. e ainda mais quando houve sede ao pote que foi negado. mas, porque tem que ser assim? essa negação não é puro instinto de morte, nirvana, querer se manter longe do que tem algum efeito? agressividade reprimida - como era no século passado quando freud começou a trabalhar, mas de forma diferente - e seguimos em diante. será que ao invés de reprimirmos a agressividade reprimimos a sexualidade? - como era antes. agora especificamente me sinto sozinho. as pessoas foram pra longe atrás de seus próprios interesses. e sombras passam. simulacros.