sexta-feira, 6 de julho de 2012

casaco (amarelo).

a noite caía.
- você está com frio?
- porque, você vai tirar seu casaco? - ele devia ser a única pessoa no lugar que tinha um casaco.
- só vou tirar se for pra você usá-lo.
ela não teve como não dizer não - estava com frio de fato.
- mas agora eu to com frio. vem ficar mais perto de mim.
ela não teve como não dizer não.

domingo, 6 de maio de 2012

escadas

os dois estavam no último andar da escada de incêndio. por trás dos enormes olhos verdes ele viu a lua, maior que em qualquer outro dia que ele se lembraria. por trás dos fortes olhos castanhos ela via o sol quase indo embora, mais alaranjado e vermelho e púrpura e roxo do que em qualquer outro dia que ela se lembraria. um guindaste de construir prédios era o fundo horizontal, e a esperança de que aquele céu de fim de tarde perfeita não se movesse nunca. um guindaste. se abraçaram, pararam de olhar para céu e lua e se fixaram um no outro, e a testemunha foi o guindaste.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

um passo pra trás, dois pra frente.

é assim que me sinto voltando a esse lugar, aquela mesma história - chega de falar de repetições; e é estranho no fim das contas voltar, porque sempre tive saudade; progredimos como se o que acontesesse pertencesse a uma ordem natural das coisas, e então somos feitos pra isso, e saudade. daquilo que foi. e que ainda acontecerá.

sábado, 31 de março de 2012

sobre o vinte pras sete.

a reflexão da madrugada começa com aquela idéia que se tem sobre as pessoas que são "suas", e como qualquer coisa que elas fazem que não envolve você - ou te tira do papel de "importante" termina lhe trazendo ciúmes. será que é sempre assim? provavelmente, só não percebemos às vezes. e naquele joguinho você termina acordado até seis da manhã, jurando que está sem sono - e está mesmo, se dependesse daquela companhia você ficaria acordado para sempre; porém ela foi dormir as seis. você foi embora com uma falta decorrente daquele abraço. afinal a noite foi boa o suficiente para sentir falta dela. porém não foi boa o suficiente para que se possa viver sem a imagem do que poderia ter sido, boa o suficiente para sentir ainda mais falta dela. ao invés de dormir as seis a gente podia dormir as cinco da tarde, não?

quinta-feira, 8 de março de 2012

mouse sensitivity, ou churras da psico.

começou ontem, na vibe do "novinha, mãos para o alto". vibe me lembra o lord homem, que lembra a rep que a gente vai, que lembra o ontem de novo. cíclico, saca? e a gente voltou pro mesmo ponto que se repete invariavelmente todas as vezes, porque temos a mesma intenção sobre o que está acontecendo, e invariavelmente terminamos sorrindo. mesmo que não haja sucesso. (1-p), saca? lembranças daquilo que já passou, e esse churras é o nono, e mexer no mouse é impossível. aliada à mouse sensitivity chega a confusão, pensamentos sobre pelo menos o que poderia ter sido, "vir-a-ser", e o churras termina sendo um processo catártico. para todos. menos eu na real, porque termino o churras pensando mais do que pensava no começo. e os próximos meses trabalharão nisso. até o próximo churras, lendário e tal, e aquilo que a gente sempre antecipa e tal... saca?

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

o eterno retorno.

quando se é férias, invariavelmente caímos num ciclo. de ter coceirinhas em tais horários e acabar se entregando à repudiada prática do alcoolismo. "é de boa, velho", costumo dizer. bom, não importa, a gente termina repetindo as mesmas coisas, fazendo o mesmo no mesmo lugar invariavelmente - pode-se tentar escapar, mas é andar em círculos. repetir as mesmas coisas, quando são agradáveis, e como diz um cartaz pregado na parede de uma rep que não tem nome além de "ei, carvão, vai tomar no cu" - e que tem sido um lugar repetitivo nesses dias: "to alcohol. the nights we'll never remember and the friends we'll never forget". exata frase. única coisa que lembrarei sobre essas noites é que fizemos sempre a mesma coisa, mas... não foi o mesmo na verdade, né?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

o que eu faço?

uma caloura me perguntou o que eu faço da vida. respondi que era traficante de armas e órgãos. ela perguntou de novo. respondi que fazia psico. umas trinta horas depois, lembrei disso. comecei a pensar o que eu faço da vida. faço textos, listas, bagunça. agito festas. faço piadinhas e besteiras. faço caminhadas, serviços de buscar ou entregar coisas. faço entrevistas, filantropia, uma rádio, e provas malfeitas na faculdade. faço lucro para a padaria, visto que frequentemente fico acordado até depois das seis e vou lá comer, como agora. a filantropia era mentira, o resto não. inclusive o tráfico de órgãos.