quinta-feira, 30 de setembro de 2010

não abandone o blog, não.

Sabe, parece um esforço. A coisa toda parece muito mais difícil quando se procura o que dizer. Me lembra aqueles momentos em que um sorriso não é o suficiente. Talvez seja até, mas não parece. E aí dá aquela vontade de dizer alguma coisa pra preencher o espaço vazio que se forma sem que se queira. Acho que ninguém quis o silêncio, ainda. Porque uma hora aquela hora de parar chega e aí vem aquele velho enjoy the silence, mas antes disso um sorriso não é o suficiente. Eu pensei que fosse o tempo todo. Até ouvir que eu devia falar o que sinto. Sinceramente não consigo nem pensar nisso, quanto mais falar. É muita coisa pra verbalizar. Pouca vogal me veio à cabeça. Não, nunca ouvi, só sei aquilo que o Liws me disse. Mas eu ouvi bastante naquele tempo todo, exatamente porque só conseguia sorrir e não falar. Aquele sorriso me faz falta. Me faz porque dizem que eu fico melhor sorrindo. Mentira, quem diz isso sou eu, e não sobre mim mesmo. Transferência, projeção, aquelas coisas de psicólogos. Dizem quem funciona. Sorrir mais funciona. Rir mais. Vamos rir mais. "Quer um chiclete?", se houvesse o que dizer o tempo todo ninguém perguntaria isso, só ofereceria em silêncio. Ganchos pra algum assunto. O que eu terminei concluindo depois dessa divagação toda é que pausas são necessárias para que se perceba o quanto aquela voz faz falta.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Diário de um Falcao: parte dezenove

Parte dezenove: cada pedaco

Eu acho que cada pedaco meu queria estar em outra parte agora. Desejo mil coisas diferentes, cada uma por sua vez com mil possíveis formas, buscando sua parte dentre os mil pedacos de mim. Mil é um bom número. Porque é redondo e fácil? Ou só porque é grande? Nao sei, forca do hábito. Cedilhas fazem falta tanto quanto o til. Ainda mais para falar de pedacos, ou cada um. Bem, um deles quer um outro pedaco que o complete. Um deles quer simplesmente ignorar a interferencia dos outros e viver conforme o que bem entende. Circunflexo também faz falta. Mas um tanto nocivo esse segundo pedaco, nao...? Me levaria a deixar de ser o todo maior que a soma. Vivem me repetindo isso há tanto tempo que eu acredito, mas será que é verdade? Um pedaco meu pode ser menor que o todo, mas porque nao melhor?, e indo mais além, porque melhor ou pior? Ele nao é eu, poderia apenas ser uma coisa diferente. Mas se fosse só ele seria eu, ainda que eu nao seja só um pedaco. Nao sei pra onde ir. Um outro pedaco meu quer ficar aqui pra sempre. Esquece de todo o resto, dos pedacos querendo crescer e dos que buscam um final; simplesmente estende o presente. Procastina (ou procrastina?, nao sei o certo). Esse pedaco faz exatamente o que eu tenho feito. Ta, exatamente nao, eu tenho feito alguma coisa; ou isso é um pedaco meu querendo me enganar? Eu ando um tanto viciado em adornos. Aquelas pequenas coisas que criam momentos só pra elas, e nos fazem esquecer de tudo além de uma certa sensacao. Pode ser um chocolate, uma lata de cerveja ou um pao italiano. Um pedaco seu gosta daquilo mais do que tudo no mundo. Bem, escrever um diário termina sendo um adorno também.

sábado, 4 de setembro de 2010

Diário de um Falcao: parte dezoito

Parte dezoito: aquela coisa lá


Às vezes me sinto naquela coisa de "o que eu quero ser nao existe". Coisa da minha cabeca né? Coisa da costela, coisa da cerveja, coisa do dia que nao acaba nunca. E também nao passa nunca. Tem coisa na sala, tem coisa na varanda, e eu to aqui no quarto. To velho. E nao se tem o que fazer. Nem picar o pé em coisa nenhuma.