Parte dezenove: cada pedaco
Eu acho que cada pedaco meu queria estar em outra parte agora. Desejo mil coisas diferentes, cada uma por sua vez com mil possíveis formas, buscando sua parte dentre os mil pedacos de mim. Mil é um bom número. Porque é redondo e fácil? Ou só porque é grande? Nao sei, forca do hábito. Cedilhas fazem falta tanto quanto o til. Ainda mais para falar de pedacos, ou cada um. Bem, um deles quer um outro pedaco que o complete. Um deles quer simplesmente ignorar a interferencia dos outros e viver conforme o que bem entende. Circunflexo também faz falta. Mas um tanto nocivo esse segundo pedaco, nao...? Me levaria a deixar de ser o todo maior que a soma. Vivem me repetindo isso há tanto tempo que eu acredito, mas será que é verdade? Um pedaco meu pode ser menor que o todo, mas porque nao melhor?, e indo mais além, porque melhor ou pior? Ele nao é eu, poderia apenas ser uma coisa diferente. Mas se fosse só ele seria eu, ainda que eu nao seja só um pedaco. Nao sei pra onde ir. Um outro pedaco meu quer ficar aqui pra sempre. Esquece de todo o resto, dos pedacos querendo crescer e dos que buscam um final; simplesmente estende o presente. Procastina (ou procrastina?, nao sei o certo). Esse pedaco faz exatamente o que eu tenho feito. Ta, exatamente nao, eu tenho feito alguma coisa; ou isso é um pedaco meu querendo me enganar? Eu ando um tanto viciado em adornos. Aquelas pequenas coisas que criam momentos só pra elas, e nos fazem esquecer de tudo além de uma certa sensacao. Pode ser um chocolate, uma lata de cerveja ou um pao italiano. Um pedaco seu gosta daquilo mais do que tudo no mundo. Bem, escrever um diário termina sendo um adorno também.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário