Music by John Smith
Intro
Happiness is a Warm Bazooka
Moments Forever Missed
L'innommable
Brighter Eyes
The Night You'd Want To Save Forever
Rain
Hate
(Sounds of Silence)
Run Away
Moments Forever Kept
Rule Number Three
Sun
Goodbye, I'm Going Home/Waking Up (Hidden Track)
Intro
O barulho insuportável do despertador que precedia o silêncio de cada manhã finalmente fez-se ouvir. Exceto que não era manhã, era madrugada; e John tinha a impressão de que era a única pessoa do mundo que estava acordando naquele momento. Enquanto se levantava, uma rápida recapitulação das lembranças dos últimos dias passou pela sua cabeça. 24 horas atrás, andava pela cidade na chuva. 48 horas atrás, ela estava praticamente dormindo de pé abraçada a ele, até o momento em que os dois se olharam nos olhos, mais fundo do que jamais olhariam. E 72 horas atrás, estava com ela. Não a mesma, mas sim a ela que John culparia como responsável por tudo o que se passou nessa profusão de acontecimentos que ele já tinha vivido até aquela hora, e viveria ainda até o fim de sua vida. Exceto que ela não tinha culpa nenhuma, e não poderia nem ser chamada de responsável indireta por aquela situação.
Happiness is a Warm Bazooka
Feliz. Era a única palavra que descrevia (e descrevia com precisão absoluta) o estado de John naquele momento. Tinha tido uma excelente noite, a melhor de todas em qualquer parâmetro. E tinha estado com ela. Não se lembrava de todos os detalhes, claro, mas ao andar pelo curto percurso da casa dele até sua casa, tudo o que sabia era que não queria mais nada da vida. Mentira, naquele momento ele queria um cigarro. Desesperadamente. Só porque percebeu que não fumava há dias. Desde que ela tinha parado de fumar, ele não fumava na presença dela. E os últimos dias tinham se resumido a ela, na simplória, agitada e sempre igual vida de John. Não sempre igual, na verdade, mas sim sempre diferente. Cada dia era único, mas mesmo assim ele sentia que eram todos iguais. Porque nada realmente de novo lhe acontecia. Sua vida tinha parado no tempo há meses e ele não tinha percebido. Vivia preso em um vórtex de espaço-tempo, que a cada dia o consumia mais. Mesmo estando totalmente feliz naquele momento, sentia que precisava de mais. Queria mais. Sempre mais, e sempre algo que nunca alcançaria. Então, ao passar pela frente de um posto de gasolina, entrou na loja de conveniência e pediu um maço de Lucky Strike Nites. Meio minuto depois, já estava fumando. 12 horas depois, estaria em uma festa na chuva. 36 horas depois, estaria andando pela cidade, sozinho, na chuva.
Moments Forever Missed
Quando criança John queria ser cientista. Desde a primeira vez em que assistiu O Mundo de Beakman, queria ser cientista. E nisso, era só uma criança. É que todos crescemos e mudamos nossa opinião sobre o que é o mundo. E então John quis ser um psicólogo. Não sabia porque, não sabia bem o que era psicologia, mas queria ser um psicólogo. Queria saber o que se passava na cabeça das pessoas. Queria saber o que se passava em sua própria cabeça, na verdade. Talvez conseguir entender alguma coisa sobre seu futuro a partir de seu passado. Seu futuro era inimaginável. E seu passado, algo que ele queria apagar a todo custo. Ele tinha tido uma infinidade de momentos bons, é verdade; mas queria algo melhor. Nunca ficaria satisfeito com aqueles fragmentos que chamaria de vida. Eram apenas momentos dos quais sentiria falta pelo resto dos seus dias. Porque nossa vida só tende a piorar, sempre. O que muda e nos faz pensar que está melhor é apenas nossa percepção dela; temos mais com o que comparar, temos mais do que lembrar, temos mais para ocupar nosso tempo.
L'innomable
Não sei o que se passou em minha mente naquele momento. Apenas pareceu a coisa certa. Pode ser que um dia eu pare com isso, pare de ser assim, quero parar, mas não consigo. Na verdade já parei há muito tempo. Parei de querer mais coisas, esse tal de longo prazo, quero apenas estar onde estou, e fazer o melhor do que sou em cada instante. Mas será que isso é vida? Porque temos que ter objetivos o tempo todo? Por que não vivemos um dia de cada vez? Culpa da agricultura. Culpa do dinheiro. Culpa do trabalho. Culpa do salário. Mas o salário é conseqüência do trabalho, e o trabalho é conseqüência da agricultura. Sei que preciso parar. Mas não sei o que fazer. Não sei o que fazer a respeito de mim, não sei o que fazer a respeito de agora. Agora eu queria um cigarro. Mais do que um cigarro, agora queria vê-la. Ver aquele sorriso perfeito de novo, passar a mão por aqueles cabelos de novo. Mas não posso. Vejo apenas carros parados, vejo pessoas correndo atrás de mim. Preciso correr. Não posso parar. Quero parar. Não posso. Preciso continuar. Esse silêncio não é nada. O silêncio não vale nada. Quero ouvir a voz dela de novo, aquela linda voz desafinada, aquela voz desafinada dizendo que me ama, preciso de alguém que me queira bem, não sei se preciso mais, preciso parar, mas não posso parar, sei que quero parar, vou continuar, não posso continuar, continuar é o que é preciso, não sei se o que quero é o que preciso, preciso parar, preciso parar com essas coisas para minha vida, não sei se ainda tenho uma vida, quero um sentido, o sentido é um só, não posso continuar, preciso continuar, preciso parar, vou continuar.
Brighter Eyes
A festa para todos ali era uma, a festa para John era outra. Pelo menos até ela chegar. Com seus claros olhos radiantes, seu oi indefectível, e seu abraço apertado. Então, consciente ou inconscientemente, tudo mudou. Como se John gravitasse ao redor de sua simples presença. Claro, ainda tinha seus amigos, – a coisa que ele mais prezava em toda a vida, a coisa que o tirava da chatice de seus dias sem amigos – mas qualquer oportunidade para ficar por perto dela era imediatamente agarrada. E ela bebia, e ele bebia junto; ela sorria, e ele sorria junto. Tudo o que John queria era um simples beijo; não sabia que teria muito mais, mais tarde. Começou quando a força de todo o álcool que ela ingeriu se fez sentir, e ela precisou de todo o apoio possível. Para não cair no chão, simplesmente. E mesmo com John e todos seus amigos (os dela) lhe segurando, ela ainda assim caiu seis vezes. Até que a festa acabou, John conseguiu uma carona, serviu de travesseiro para ela que dormia como uma criança, e ouviu um "dorme comigo hoje". Ele não entendeu nada, mas era incapaz de recusar. E a cada segundo a vontade de beijá-la lutava contra o bom senso que o dizia para não fazer aquilo. Ele se sentiria culpado depois, sim, ele não saberia como olhar para ela depois, aquilo seria errado. Então ela tirou dele qualquer poder de decisão. Dormiram exaustos, acordaram sorridentes – coincidentemente no mesmo instante – e se olhando. Os olhos dela, mais brilhantes do que nunca. Ele, feliz. No momento que olhou para o relógio, 2 da tarde, devia ser sexta, esqueceu totalmente dela. E pior ainda, no dia de seu aniversário.
The Night You'd Want To Save Forever
"Quer vir conversar?", foi como aquela noite começou. À tarde ela tinha dito para ele que queria um tempo. Mas um tempo nunca era só um tempo para John. Passou o começo da noite em casa com alguns amigos, bebendo cerveja no peitoril da janela. E de noite, ele ligou para ela. Claro que não resistiria. Então tomou um banho, passou seu perfume, e foi encontrá-la. E ali estavam os dois no sofá, ela deitada em seu colo chorando, ele passando a mão por seus cabelos. E não conseguia chorar, todas as lágrimas já tinham ido embora no final da tarde. E conversaram longamente, sobre os dois, sobre cada um deles, sobre qualquer outra coisa no mundo. Mas o assunto que menos conversaram foi sobre os dois, juntos. Talvez por causa do desejo incontrolável e recíproco de continuarem juntos. John não sabia o que queria da vida, exceto que queria estar junto com ela. Ou pelo menos saber que estava com ela. Uma simples ilusão convincente de que estaria com ela para todo o sempre servia. E ela sabia o que queria da vida, perfeitamente. Só não sabia o que fazer em relação a ele. John era cheio de defeitos, fato. Mas ela o queria, por algum motivo. Levantaram do sofá, e ela não quis dormir sozinha. Não naquela noite. Então era sinal de que os dois tinham voltado. Oito horas atrás, ele não tinha mais uma namorada. Oito dias depois, ele não tinha mais sua vida.
Rain
Sexta, madrugada, John andava na chuva. Andar na chuva era algo que lhe fazia bem. E naquele momento ele precisava só se sentir bem. Depois de ter escondido seu celular, por causa de um SMS que chegou depois da meia-noite. "Você sempre arruma um jeito de me decepcionar". Na verdade ele não queria decepcionar ninguém. Queria que todos a seu redor fossem felizes. Talvez assim ele seria feliz. Ou não. Talvez nunca seria feliz. Ou talvez em algum momento, seria feliz para sempre. Não saberia jamais. Felicidade era algo distante. Só queria a chuva. Que lavava seu corpo, que lavava seu rosto. Que o lavava de tudo o que queria esquecer. E cada gota era algo único, cada gota ficava ali para sempre, cada gota faria a diferença. Cada único instante em nossa vida faz a diferença. Vivemos apenas uma sucessão de acontecimentos, nos perturbando e chacoalhando e mudando e destruindo a cada único instante. E o quão mais feliz é a vida antes de nascermos, flutuando em um molhado útero por nove meses? E o quão mais triste é a vida depois que nascemos, e crescemos, e andamos pela chuva em uma sexta-feira sem ter o que fazer?
Hate
John não prestou atenção em nenhum dos sons que se faziam ouvir, exceto o som da catraca do refeitório girando enquanto ele entrava. Pegou uma bandeja, pegou comida, tudo normal como sempre. Menos ele. Estava mal. Passou toda a sexta sem comer, vivendo apenas à base do maço de Lucky Strike Nites que comprou no posto e de uma quantidade arbitrariamente grande de cerveja que tinha em casa – para emergências. Ele pensava que a cerveja aumentaria sua felicidade, ou a preservaria, ou qualquer coisa assim. Mas estava com fome, depois disso. E um picadinho servido no refeitório da faculdade nunca lhe pareceu tão suculento. Sentou sozinho, não queria ouvir vozes. E as pessoas que riam no outro canto da mesa lhe incomodavam cada vez mais. E por algum motivo, John achou que riam dele. E talvez riam dele mesmo, mas isso é algo que nunca saberemos. E John estava desesperado. Não mostrava isso, mas estava. A cada pouquinho de comida que colocava na boca, mastigava e olhava para eles. Eles apenas olhavam de volta e riam. E tudo estava confuso, e a cerveja que ele tinha tomado de manhã – "evite a ressaca, mantenha-se bêbado" – nublava tudo mais e mais. E sua cabeça girava, lembranças sobre ela não paravam de surgir, e ele queria parar, não podia parar, e se levantou. Se levantou, pegou a faca com que cortava seu almoço picadinho. E enfiou essa faca no pescoço daquele que parecia rir mais. Não sabia porque fez isso, não queria fazer isso, não ia querer fazer isso em qualquer dia normal de sua vida. Mas foi o que fez. Porque aquele não era um dia normal. Olhou por um breve instante para o cara que ria mais, e que agora sangrava, todos olharam para ele mas ninguém fez nada, e então ele saiu dali. Caminhando lentamente enquanto ninguém fazia nada. Provavelmente poucos ali perceberam. Ninguém se importa mais com estranhos, hoje em dia. John saiu do refeitório, e o único barulho que ouviu foi o da catraca girando. O chamaram, e ele correu para fora.
(Sounds of Silence)
Parecia um dia normal, até depois do almoço os dois sentarem e ela dizer que queria um tempo. Mas um tempo nunca era só um tempo. E foi estranho, porque depois disso os dois se beijaram inúmeras vezes, sem parar, e era quarta-feira, e não fazia sentido mais nada. Mas ele só queria ela. E se desesperava, porque sabia que no momento que cruzasse o portão da casa dela, tudo ia acabar. Ele não queria que acabasse, ele precisava continuar. Ela o fazia feliz. Pelo menos o que ele achava. E naquele silêncio, os dois no sofá, os dois chorando, ela fazendo algo que claramente não queria, mas precisava. Ali ela não o fazia feliz. Ali ela o quebrava em milhões de pedacinhos e os jogava pela janela e chorava e dizia que não queria mais vê-los. Então ele tirou seu colar, um objeto simbólico importante em sua vida, e o deu para ela. "Cuide bem disso, tem espíritos", foi a fala que quebrou o silêncio. E o espírito que John deu para sua namorada (agora ex-namorada) cuidar foi o que a manteve preso a ele. Pelo menos era nisso que ele acreditava. Seu velho costume de acreditar em qualquer groselha e moldar a própria realidade em torno disso. Pelo menos doze horas depois ele estava dormindo com ela.
Run Away
John gostava de correr. Mas naquela situação, corria sem saber o porquê. Como se seu puro instinto tivesse tomado conta de sua vida nos últimos minutos. Exatamente assim. Ele tinha parado de pensar, apenas seguia o fluxo das coisas. E aquilo não dava certo. Não daria certo. Mas deu certo. Conseguiu chegar em casa. Seu carro, na reserva de gasolina. Há dias. Ele não sabia como tinha chegado em casa, apenas que estava em casa. E o sono o exauriu, na hora. Enfiar uma faca no pescoço de alguém era um tanto cansativo, se levarmos em consideração o que John fazia em seus últimos dias. Nada. Não fazia nada. Nada. Nada que mereça o título de "eu faço isso". Limpava a casa, cuidava das contas, fingia que estudava, escrevia. Isso era nada. Culpa da agricultura. Mas vivia bem. Vivia bem, sem nada. Até a hora em que teve que correr. Iriam pegá-lo, e o que fariam? John estava de boa de querer saber. Além de limpar a casa e cuidar das contas, ele jogava poker. E algo importante no poker é saber quando correr, quando fugir, quando desencanar. Ele tinha fugido de 90% das oportunidades que valiam a pena em sua vida nos últimos meses. E não tinha fugido, tinha pagado, 90% das oportunidades que não valiam a pena. Mas naquela hora corria. E fugia. E não queria ser pego. E queria continuar. E chegou em casa, e dormiu.
Moments Forever Kept
John nunca se esqueceria de seu primeiro beijo, tampouco do dia em que ganhou na loteria, – 200 dólares, 17 anos – ou do primeiro porre, ou do dia em que finalmente ficou com ela. Depois de dez dias em que a conhecia, depois de dois dias que passou com ela. E foi simplesmente incrível. Simplesmente incrível. Sentar sob as estrelas, olhar as estrelas, nomear as estrelas – McNífico Bacon, a constelação que os dois criaram. John adorava o céu. Jamais se esqueceria do céu laranja em que esteve sozinho fumando no telhado, ou do céu estrelado em que estava com ela. Estrelas ou lua?, estrelas. Muitas pequenas luzes são mais do que uma só grande luz. Mas é melhor queimar de uma vez do que apagar as poucos. Assim disse Kurt Cobain. "Can you hear the spheres singing song off station to station?", unicórnio primogênito, pornografia leve e pesada. Algumas coisas John nunca esqueceria. Alguns momentos ele guardaria para sempre. Outros, ele não se lembraria diretamente, mas fariam toda a diferença em sua vida. Como fazem em todas nossas vidas.
Rule Number Three
A regra três diz: menos é mais. Tendemos a ser minimalistas? O ser humano tende a reduzir e simplificar tudo? John era assim. E por abusar desse princípio, não sabia mais o que fazer. Porque tinha perdido. Tinha esquecido dela, tinha esquecido de tudo, e aí só restava beber. Ela lhe fazia feliz; ela também. E não tinha escolha. Queria tudo. Mas tudo é algo que não se quer, simplesmente porque nunca se terá. E isso é ilusão. Nada convincente, apenas desesperadora. Um leve desespero que leva todos nós daqui. E o desespero é o que tomava conta de John. Porque ele finalmente tinha lembrado do aniversário dela. E não tinha escolha. Não tinha o que fazer. Apenas olhava para seu estoque arbitrariamente grande de cerveja, olhava, olhava, até o tomar. E John adorava beber sozinho. Sempre ligava o som, uma música qualquer, mas uma música especial. Escolhida entre o conjunto de músicas especiais que ele tinha. Que incluíam aquelas que serviam para os momentos tristes. Triste, é o que ele estava. Por mais que tivesse acordado feliz e sorridente, olhando para aqueles olhos brilhantes, sorrindo porque finalmente tinha acordado com ela. Mas triste. Porque não tinha acordado com ela. Ela lhe fazia falta. Não a via há muito tempo. Algo como 24 horas. Era muito tempo para ele, que antes de terminar, a via todos os dias. E 24 horas depois, estaria entrando no refeitório.
Sun
O sol sorria. E ela também, com seu sorriso perfeito. Tudo radiava, tudo significava felicidade. Os dois andavam por aí. Aquele tipo de dia em que não se quer mais nada além de andar por aí, e o sol está lindo, e queremos apenas estar com alguém. E ali estava John, com ela. Não queria mais nada, além de talvez acariciar seu cabelo perfeito a cada dez minutos. Dez minutos. Se John tivesse apenas mais dez minutos de vida, ia querer gastar todos com ela. Dez minutos com seu cabelo, dez minutos vendo aquele sorriso perfeito. E talvez um beijo. O quanto valia um beijo? Um beijo dela era menos do que vinte cigarros? Nunca John saberia, não é algo que se compare. Coisas não são comparáveis. Nada se compara. Cada única pessoa sempre irá preferir algo, e outra pessoa preferirá mais um outro algo.E em cada relacionamento, sempre uma pessoa irá gostar mais daquilo que a outra. Por isso tudo tende a acabar. E John sentia que aquilo não ia acabar nunca. "E foram felizes para sempre". Ele queria ser feliz pra sempre. Então, um barulho se fez ouvir. Um barulho insuportável. E então, John acordou.
Goodbye, I'm Going Home/Waking Up (Hidden Track)
Tchau, I have to go now. Mantra do carnaval. Algo que John nunca esqueceria. Como nunca esqueceria de seus últimos dias. Lembramos de fragmentos de nossa vida, sempre. 24 horas atrás, andava pela cidade na chuva. 72 horas atrás, estava com ela. Foi absurdo, foi incrível, foi indescritível. E ali estava ele. Tinha acabado de acordar, sentindo que era a única pessoa do mundo que acordava naquela hora. Quem acorda de madrugada em um sábado? Quem mata alguém em um refeitório da faculdade? Quem sai de sua casa, madrugada de sábado, e se depara com pessoas querendo vingança? John. John não se lembra de como morreu, foi tudo muito rápido. E quem se lembra de como morreu? Quem já ouviu alguma história sobre morrer? As pessoas que morreram não estão mais aqui. Nascemos para morrer. Por quê?
-//-
Algo que John sempre lembraria é de como acordou naquela noite de sábado. Tinha sonhado com ela, foi um sonho bom, foi o melhor sonho de todos. Ele queria ver ela. Ele só queria ver ela. Mas, quando algo lhe bateu à porta, ele não foi ver ela. Ele foi ver ela. Ela acabou com ele, ele teve o que sempre quis. Ele a teve. E a ela também. Era só o que ele pensava ao acordar naquele momento, naquela voz desafinada, naqueles cabelos que eram o melhor de todos de se passar a mão, ever. Ele não pensava nos olhos brilhantes. Só nos cabelos perfeitos, e um pouquinho na voz desafinada. E no quanto tinha sido displicente em não ligar para ela, não vê-la, nem ao mesmo ligar para ela. No dia do aniversário dela. Ele nunca se perdoaria. E nem teria tempo para isso.
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