sábado, 16 de outubro de 2010

and why do we like to hurt so much?

a gente gosta de se machucar tanto porque termina não percebendo os limites dos outros pra coisas que a gente acha que vai fazer bem e termina se decepcionando, aí ninguém tem culpa na verdade, só fica aquela coisa esquisita e involuntária e indesejada, mas enfim, é uma coisa que a gente gosta sem saber que gosta.


pra sá.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

não abandone o blog, não.

Sabe, parece um esforço. A coisa toda parece muito mais difícil quando se procura o que dizer. Me lembra aqueles momentos em que um sorriso não é o suficiente. Talvez seja até, mas não parece. E aí dá aquela vontade de dizer alguma coisa pra preencher o espaço vazio que se forma sem que se queira. Acho que ninguém quis o silêncio, ainda. Porque uma hora aquela hora de parar chega e aí vem aquele velho enjoy the silence, mas antes disso um sorriso não é o suficiente. Eu pensei que fosse o tempo todo. Até ouvir que eu devia falar o que sinto. Sinceramente não consigo nem pensar nisso, quanto mais falar. É muita coisa pra verbalizar. Pouca vogal me veio à cabeça. Não, nunca ouvi, só sei aquilo que o Liws me disse. Mas eu ouvi bastante naquele tempo todo, exatamente porque só conseguia sorrir e não falar. Aquele sorriso me faz falta. Me faz porque dizem que eu fico melhor sorrindo. Mentira, quem diz isso sou eu, e não sobre mim mesmo. Transferência, projeção, aquelas coisas de psicólogos. Dizem quem funciona. Sorrir mais funciona. Rir mais. Vamos rir mais. "Quer um chiclete?", se houvesse o que dizer o tempo todo ninguém perguntaria isso, só ofereceria em silêncio. Ganchos pra algum assunto. O que eu terminei concluindo depois dessa divagação toda é que pausas são necessárias para que se perceba o quanto aquela voz faz falta.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Diário de um Falcao: parte dezenove

Parte dezenove: cada pedaco

Eu acho que cada pedaco meu queria estar em outra parte agora. Desejo mil coisas diferentes, cada uma por sua vez com mil possíveis formas, buscando sua parte dentre os mil pedacos de mim. Mil é um bom número. Porque é redondo e fácil? Ou só porque é grande? Nao sei, forca do hábito. Cedilhas fazem falta tanto quanto o til. Ainda mais para falar de pedacos, ou cada um. Bem, um deles quer um outro pedaco que o complete. Um deles quer simplesmente ignorar a interferencia dos outros e viver conforme o que bem entende. Circunflexo também faz falta. Mas um tanto nocivo esse segundo pedaco, nao...? Me levaria a deixar de ser o todo maior que a soma. Vivem me repetindo isso há tanto tempo que eu acredito, mas será que é verdade? Um pedaco meu pode ser menor que o todo, mas porque nao melhor?, e indo mais além, porque melhor ou pior? Ele nao é eu, poderia apenas ser uma coisa diferente. Mas se fosse só ele seria eu, ainda que eu nao seja só um pedaco. Nao sei pra onde ir. Um outro pedaco meu quer ficar aqui pra sempre. Esquece de todo o resto, dos pedacos querendo crescer e dos que buscam um final; simplesmente estende o presente. Procastina (ou procrastina?, nao sei o certo). Esse pedaco faz exatamente o que eu tenho feito. Ta, exatamente nao, eu tenho feito alguma coisa; ou isso é um pedaco meu querendo me enganar? Eu ando um tanto viciado em adornos. Aquelas pequenas coisas que criam momentos só pra elas, e nos fazem esquecer de tudo além de uma certa sensacao. Pode ser um chocolate, uma lata de cerveja ou um pao italiano. Um pedaco seu gosta daquilo mais do que tudo no mundo. Bem, escrever um diário termina sendo um adorno também.

sábado, 4 de setembro de 2010

Diário de um Falcao: parte dezoito

Parte dezoito: aquela coisa lá


Às vezes me sinto naquela coisa de "o que eu quero ser nao existe". Coisa da minha cabeca né? Coisa da costela, coisa da cerveja, coisa do dia que nao acaba nunca. E também nao passa nunca. Tem coisa na sala, tem coisa na varanda, e eu to aqui no quarto. To velho. E nao se tem o que fazer. Nem picar o pé em coisa nenhuma.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

My Family's Role In The World Revolution (1-6)

(#2, Lon Gisland EP)

- Qual o papel de minha família?
Educar-me, tornar-me quem sou, juntamente com minhas escolhas e meu passado (construído por mim mesmo e pelo acaso).

- Quem é minha família?
Meus amigos, meus heróis, meus ícones, minha cultura. Eles são a base para meus sonhos e desejos; estes são a base para a revolução do mundo.

- O que é a revolução do mundo?
"Slow motion popcorn", é transcender continuamente, até o ponto-limite em que se entende, ao entender o mundo não se precisa mais dele, e assim vencemos a revolução - ganhamos o mundo.

- Como transcender continuamente?
Um deve buscar seus próprios meios.


Parte 1
Nos mudamos hoje. Viemos eu e minha família, pela manhã. E já é tarde. Alguma coisa que não conheço me diz que o sol está para se pôr, mas não dou muito crédito a ela. O sol vai ficar mais um tempo no céu, até aquele crepúsculo que tanto esperamos. Mas outra coisa que não conheço, talvez a mesma, me diz que essa mudança não é a primeira pela qual já passamos. Bem, minha família muda com o tempo também. Eu também, aliás. Tudo muda -até bermuda, eu diria. Como aquele poema velho escrito na parede velha da nossa casa nova. Nos mudamos hoje. Nós mudamos hoje. Mudou o cenário, mudou o mundo, o mundo é novo. Esse negócio de mundo novo me deu uma idéia. Algo novo é algo novo para ganhar. Mas guardarei essa idéia para depois. Agora algo me ocorreu e vou pensar em algo diferente... aquelas coisas que acontecem rápido. Pensei no colchão da sala nova, ou nos rabiscos que fiz no meu quarto novo. Nossa casa mudou hoje. Nos mudamos hoje. Todo dia é uma mudança.


Parte 2
Acordei há pouco tempo. E hoje ainda tem cara de ontem; a mudança no fim não é uma mudança de fato. Talvez porque mudamos tão lentamente que nem percebemos quem somos no final das contas. Os momentos de verdadeira revolução devem ser poucos, não sei se já vivi um deles. O tempo tem sido contínuo e não discreto; aquele "ta-ta-ta-ta-ta-ta" interminável é na verdade um "taaaa" interminável. A parede do meu quarto novo velho diz que devo viver a liberdade, conseguir o amor, sentir a harmonia, entender a vida e a morte. Parece difícil. Ninguém disse que não seria. O que fazer a respeito? Vamos começar vivendo a liberdade.


Parte 3
Viver a liberdade é o primeiro que encontrei dos meus próprios meios. O catalisador que começa todo o processo da pipoca em câmera lenta. Um milho de pipoca não tem valor sozinho; ninguém de daria ao trabalho de esquentar óleo para estourar uma única pipoca. Já estourada, uma única pipoca tem algum valor; pode-se comê-la, mesmo que não adiante muito para matar sua fome ou sua vontade de pipocas. Enfim, começa com o processo de focalizar aquelas pipocas na panela, imaginar-se como uma delas, e virar do avesso. Revolucionar a nós mesmos. A revolução do mundo interior é a verdadeira revolução do mundo. Colocando toda nossa casca que nos isola do resto do mundo para dentro, e colocando para fora toda nossa essência branca de amido que nos define e torna quem somos. O amido é nossa identidade. Preciso afirmá-la para poder ser livre. Livre não precisarei mais de minha família, o que não necessariamente significa que vou me desfazer dela. Não, nunca.


Parte 4
Conseguir o amor vem depois. O problema é que não sei o que é amor, na verdade. Minha família já tentou me explicar um milhão de vezes, mas parece ser uma coisa daquele tipo que se recusa a entrar em sua cabeça; simplesmente não faz sentido à primeira vista. Estrelas cadentes, sonhos dentro de sonhos, colo no colchão do canto da sala nova, ou conversas a cinco centímetros de distância, isso sim tem mais lógica. O que há por trás destes pequenos símbolos é aquilo que procuro? Sorrisos. Me parece um bom começo. Sorrisos, carinho, respeito. Imagens inundando a vista. Saudade. Conversas que não parecem ter fim - e não se quer que tenham - olhando para estrelas e estrelas cadentes, proximidade, conforto, bem-estar; borboletas no estômago, cabeça em vários lugares mas atenção em um único, risadas além dos sorrisos. Me parece que tudo isso pode ser chamado de amor. A questão agora é: se a revolução é sobre ser livre, porque o amor nos prende tanto?


Parte 5
A necessidade da revolução começou com duas coisas: a percepção de que tudo era velho se tornando novo - o que também me impeliu a buscar algo novo para mim mesmo - já que eu estava sempre isolado do todo - um todo que é maior que a soma de suas partes. Digressões de lado, o motivo foi alguma canção velha no final de um dia repetido, mas ouvida de forma nova. Raro termos exatamente a mesma sensação diante de uma coisa duas vezes, assim como são raros aqueles momentos em que se olha para o próprio amido com atenção. O amido fica separado do óleo na panela; é importante que se tenha uma tampa nesse momento para evitar a colisão com o chão. Um momento... não, o que eu quero é sair da panela, explorar novas coisas, conhecer mais e melhor, leave the great indoors como uma canção velha diria. Quanto mais eu tento me afastar da revolução, - por preguiça, comodidade ou outro motivo fraco qualquer - mais ela se mostra necessária.


Parte 6
No dilema entre liberdade e amor, terminei encontrando um jeito de juntar os dois. Já ouvi uma vez que o amor só é amor quando é recíproco, do contrário não passa de paixão, obsessão, conforto, não sei quais as outras palavras. Pois eu discordo ao tentar ver as coisas dessa forma. Se o amor deve ser recíproco, ele vai te privar da liberdade; ele vai exigir, e talvez essa exigência seja mais do que o doável e possível. A pressão fora da panela de pipoca é desnecessária; apenas irrita e lhe força a decisões subótimas. O amor devia ser como a família e como o próprio mundo; ele sempre será melhor se não precisarmos dele. Se fica preso com a obrigatoriedade, uma relação de dependência mútua e desesperada é doentia, a proximidade vira uma prisão, as borboletas no estômago se tornam dor de cabeça. Não é isso que eu quero; dores de cabeça em nada vão ajudar na revolução. Que o amor seja leve então, leve, muito leve como pluma que pousa. Não que eu seja obrigado a viver de amor, mas a força que vem dele é uma ajuda inestimável em todo o processo. Sonhos e desejos, é aonde o amor entra no final das contas.

domingo, 29 de agosto de 2010

Diário de um Falcao: parte dezessete

Parte dezessete: bloqueio


Eu nao sei sobre o que escrever, por isso estou escrevendo. O teclado do alemao nao tem til, isso é deselegante. Eu fiquei lendo tópicos do comeco do ano, pura estranhice. Eu liguei pro Melô, - cacar as teclas num teclado alemao é estranho - um velho amigo meu... acho que ele ficou mais velho do que eu conforme o tempo passou. Eu estou velho demais, talvez. O melhor que tá tendo no mercado ainda é a minha casa, já faz um tempo. Estou ouvindo uma música do Paramore que eu nao conhecia. Estou viciado em Paramore. Parece simplesmente que nenhuma outra coisa faz sentido. Na verdade, nada tem feito sentido. Eu estou rodando e procurando o próximo enjoy, quando ele nao acaba nunca. É que eu sinto falta de um tanto de coisas. Dela um pouco, da Tiana e da Tanganiyka um monte, daquelas velhas histórias mais ainda. Porque eu nao gosto das novas? Nostalgia. Insatisfacao perante a nossa galera. Parece que nada é como eu esperava. Aí todo mundo foi pro bronze. E a miau ainda fala como se a porta fosse com a minha cara, eu acho que duvido disso. Coisas distantes, né? O som agora me intriga mais do que a minha vida mesmo, a breja nao acaba, a internet é aquela companhia que nao vai te deixar. Sinto saudade. De um monte de coisa. Inclusive você. Sério.

terça-feira, 23 de março de 2010

Diário de um Falcão, ano dois

Parte... dezesseis? Tudo de novo, outra vez
É engraçado como quando você não tem uma vida boa acaba transformando-a em literatura para de alguma forma tentar torná-la mais suportável. Dessa maneira e com esse propósito eu falei e falei sobre coisas, pessoas, acontecimentos, idéias, sensações. Mas não tenho mais essa obrigação. Como Beckett dizia, a obrigação de falar na esperança de poder me calar um dia. E agora posso. Poderia estar calado. Mas quero falar, e não sobre isso; quero falar sobre o tudo de novo, que é novo por uma outra vez. Tenho uma outra sala agora, tenho outros novos amigos; são outras gostosas, outras brejas da atlética, ela não surge nem de perto com a mesma freqüência. Que bom, eu digo. Essa situação é tudo o que eu precisava afinal. Porque esse lugar novo é o meu lugar de fato, essa casa limpa que não é mais um ninho é o que eu queria no fundo, e até minha barba ruiva que me dava meu nome de falcão se foi. Essa parte não deveria ser a dezesseis, deveria ser a parte um de um novo volume. Escrito com outro propósito que não é me salvar de minhas próprias idéias, e sem peso. Porque é assim que devia ser. E é assim que será. Por no mínimo quarenta e sete vezes.