segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

sobre sorte e a falta de, ou porque devemos nos divertir

A pergunta é basicamente essa: já que em média as pessoas do mundo têm dificuldade para sobreviverem e manterem-se sãs, porque não aproveitar que temos uma boa chance para nos divertir, e nos divertimos, e divertimos as pessoas ao redor?
Digo isso à parte da minha geração que teve sorte e sucesso em meio à meritocracia, as elites intelectuais do país, o gran paradiso.
Se você aproveitar sua noite, sua madrugada, sua manhã e sua tarde de forma que aquele dia seja memorável tanto para você quanto para aqueles em sua companhia, ótimo. Você pintou mais uma cena no quadro das coisas belas do mundo.
E dias assim são raros, porque na maioria deles temos que batalhar pela nossa sobrevivência. Seja trabalhando para pagar alimento e aluguel e catalisadores de diversão, seja estudando para convencer nossos pais a pagar os citados itens, seja caçando e pescando no meio de uma floresta, roubando lojas e transeuntes para sustentar um vício em crack, ou qualquer situação em que se está velho, cheio de arrependimentos, esperando para morrer sozinho.
A situação para uma porcentagem muito maior do mundo é mais difícil que a nossa, geração.
Então vamos nos divertir enquanto podemos.
Eu tenho um sentimento que hoje a noite vai ser uma boa noite. uuuhuu.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

sobre primeiro de dezembro.

tudo começou a virar um inferno prático, por diferentes motivos:

- a temperatura excessiva e repentina aliada a um tempo terrível
- a pressão sem fim da academia e inúmeras coisas pra fazer
- o desmoronamento da vida social devido ao motivo anterior
- a hipocrisia decorrente da falsa felicidade de festas de fim de ano
- a perspectiva de que janeiro será um marasmo eterno

salvam-se as luzinhas de natal.

sem título. (1)

Cole olhava através do arco de pedra. E era como se ele se lembrasse de cada detalhe daquela coisa que via pela primeira vez. Não chamamos de lembranças algo sobre algo que ainda não aconteceu, né? Mas ele se lembrava.
Ele estava de pé em um gramado imenso, mas não era o que via através do arco. Uma névoa cinza, sombras enormes e disformes se mexendo no meio daquilo. E elas queriam sair para o nosso lado do arco, mas Cole sabia que não podiam. Ele se lembrava de já ter tentado sair da névoa e não conseguir. E aquela coisa estranha o atraía lenta e irresistivelmente. Tinha que pensar e se agarrar a motivos para ficar parado ali, ou ir embora logo.
Já tinha chegado longe. Tinha saído faz tempo. E dos prováveis cem mil passos que caminhara naqueles dias, passara uns oitenta mil pensando se não deveria ter ficado. Ele a deixou com saudade, e a deixou, com saudade. Poucos dias já tinham sido muito. Olhou para o amuleto prateado quebrado no meio que segurava na mão direita; parecia que as sombras além do arco também o queriam. Uma coisa que no final das contas nem serviu pra nada.
O vento começou a soprar em seu rosto. Uma borboleta azul que por ali voava entrou no arco, e imediatamente perdeu a cor. Logo lhe veio a memória de um outro dia.

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Dia um

Ele sabia que quando via aquele olhar é porque alguma coisa não estava certa. E era como se Larissa visse através dele, e provavelmente uma névoa cinza cheia de sombras enormes e disformes. Cole tinha muito o que consertar em si mesmo ainda. O tempo com ela tinha lhe feito muito bem, até demais. E esse demais o colocou em uma situação estranha. É que ela sabia o que aquelas sombras significavam, e ele não. Só. Por isso quando olhou por aquele arco as coisas não fizeram sentido. Era só uma questão de ponto de vista. Mas a verdadeira questão é sobre porque a visão dela chega tanto mais longe.

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Talvez de todos os momentos em que Cole andou, o mais memorável foi quando viu o olho. E o olho lhe viu. A lua cheia refletia uma quantidade de luz suficiente para iluminar as nuvens que não vemos. Significativo. Porque ele tinha visto algo exatamente igual na noite em que a deixou. Foi quando voltava do mercado, tinha levado algumas frutas e batatas para trocar pelas coisas que Larissa tinha lhe pedido. Fósforos, uma lâmpada, sabão. E um presente. Ele ficou pensando em qual seria o presente por um bom tempo, mas viu a lua e aquele halo de luz a seu redor; e então sua mente voou para outros lugares.
Ele andava inquieto ultimamente. Alguma coisa muito forte lhe dizia o tempo todo que ele devia procurar um lugar. É que ele não sabia que lugar era esse; parecia algo que ele conhecera em um sonho meio esquecido. Como se essa idéia tivesse sido plantada em sua mente. E no céu, aquele olho que tudo via, com sua íris cor de lua. Provavelmente o olho conseguia ver o lugar que terminaria atraindo Cole no final das contas. Cole ainda pensava no olho quando se viu à porta de sua casa. Em suas mãos, fósforos, uma lâmpada, sabão, e nenhum presente.

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Eram quatro da manhã quando ele terminou de escrever a carta. Tirou aquele amuleto estranho que tinha aparecido do bolso, quebrou-o ao meio e deixou uma metade sobre o papel. Tinha prometido que daria o presente de Larissa pela manhã. E ali estava. Pegou as coisas de que precisava - entre elas, o cajado, alguns escritos, e suas botas. Saiu fazendo o mínimo de barulho possível para não acordá-la. Fez um carinho em Rex, - seu cachorro nunca dormia - mas Rex não latiu. Acendeu o único cigarro de palha que estava levando, e começou a estrada rumo ao alto da montanha.

domingo, 17 de outubro de 2010

um pequeno pedaço de ficção (ou não).

Já fazem cinco meses, duas semanas, e dois dias. Desde aquele sábado em que a gente viu um filme junto. Aí depois se passou aquele tempão de mãos dadas e olhares tímidos e bobos, até aquela hora mais crítica de todas. Você virou o rosto. Eu insisti. Eu acho que sei quando insistir, pelo menos com você. Se bem que ultimamente não tem funcionado muito, o tempo é pouco. E pelo tempo ser pouco, falta aquilo pra gente. Aquele nada. Aí dois meses depois daquele sábado a gente tava deitado um olhando pro outro, e no fundo dos seus olhos eu via o castanho mais castanho, mas também via algo como luz do sol derramada por uma planície inteira. Imagina. Campos de trigo. O vento do final da tarde do horário de verão soprando. Nunca te perguntei se você prefere horário de verão ou normal. Mas a gente correndo pelo trigo como se nada ou ninguém no mundo inteiro fosse fazer a mínima diferença pra gente naquele momento. O mundo seria nosso. O mundo ainda é nosso. Em todas aquelas horas em que eu te olho e te beijo e não canso de olhar para você nunca, e a madrugada passa em um piscar de olhos. Passamos várias dessas. Na verdade eu queria ter passado mais. Porque olhando daqui agora, a maioria das minhas memórias são tudo aquilo que eu queria ter feito. Queria ter passado mais madrugadas com você. Qualquer momento serve na verdade. E só um beijo a mais. Boa noite.

sábado, 16 de outubro de 2010

and why do we like to hurt so much?

a gente gosta de se machucar tanto porque termina não percebendo os limites dos outros pra coisas que a gente acha que vai fazer bem e termina se decepcionando, aí ninguém tem culpa na verdade, só fica aquela coisa esquisita e involuntária e indesejada, mas enfim, é uma coisa que a gente gosta sem saber que gosta.


pra sá.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

não abandone o blog, não.

Sabe, parece um esforço. A coisa toda parece muito mais difícil quando se procura o que dizer. Me lembra aqueles momentos em que um sorriso não é o suficiente. Talvez seja até, mas não parece. E aí dá aquela vontade de dizer alguma coisa pra preencher o espaço vazio que se forma sem que se queira. Acho que ninguém quis o silêncio, ainda. Porque uma hora aquela hora de parar chega e aí vem aquele velho enjoy the silence, mas antes disso um sorriso não é o suficiente. Eu pensei que fosse o tempo todo. Até ouvir que eu devia falar o que sinto. Sinceramente não consigo nem pensar nisso, quanto mais falar. É muita coisa pra verbalizar. Pouca vogal me veio à cabeça. Não, nunca ouvi, só sei aquilo que o Liws me disse. Mas eu ouvi bastante naquele tempo todo, exatamente porque só conseguia sorrir e não falar. Aquele sorriso me faz falta. Me faz porque dizem que eu fico melhor sorrindo. Mentira, quem diz isso sou eu, e não sobre mim mesmo. Transferência, projeção, aquelas coisas de psicólogos. Dizem quem funciona. Sorrir mais funciona. Rir mais. Vamos rir mais. "Quer um chiclete?", se houvesse o que dizer o tempo todo ninguém perguntaria isso, só ofereceria em silêncio. Ganchos pra algum assunto. O que eu terminei concluindo depois dessa divagação toda é que pausas são necessárias para que se perceba o quanto aquela voz faz falta.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Diário de um Falcao: parte dezenove

Parte dezenove: cada pedaco

Eu acho que cada pedaco meu queria estar em outra parte agora. Desejo mil coisas diferentes, cada uma por sua vez com mil possíveis formas, buscando sua parte dentre os mil pedacos de mim. Mil é um bom número. Porque é redondo e fácil? Ou só porque é grande? Nao sei, forca do hábito. Cedilhas fazem falta tanto quanto o til. Ainda mais para falar de pedacos, ou cada um. Bem, um deles quer um outro pedaco que o complete. Um deles quer simplesmente ignorar a interferencia dos outros e viver conforme o que bem entende. Circunflexo também faz falta. Mas um tanto nocivo esse segundo pedaco, nao...? Me levaria a deixar de ser o todo maior que a soma. Vivem me repetindo isso há tanto tempo que eu acredito, mas será que é verdade? Um pedaco meu pode ser menor que o todo, mas porque nao melhor?, e indo mais além, porque melhor ou pior? Ele nao é eu, poderia apenas ser uma coisa diferente. Mas se fosse só ele seria eu, ainda que eu nao seja só um pedaco. Nao sei pra onde ir. Um outro pedaco meu quer ficar aqui pra sempre. Esquece de todo o resto, dos pedacos querendo crescer e dos que buscam um final; simplesmente estende o presente. Procastina (ou procrastina?, nao sei o certo). Esse pedaco faz exatamente o que eu tenho feito. Ta, exatamente nao, eu tenho feito alguma coisa; ou isso é um pedaco meu querendo me enganar? Eu ando um tanto viciado em adornos. Aquelas pequenas coisas que criam momentos só pra elas, e nos fazem esquecer de tudo além de uma certa sensacao. Pode ser um chocolate, uma lata de cerveja ou um pao italiano. Um pedaco seu gosta daquilo mais do que tudo no mundo. Bem, escrever um diário termina sendo um adorno também.

sábado, 4 de setembro de 2010

Diário de um Falcao: parte dezoito

Parte dezoito: aquela coisa lá


Às vezes me sinto naquela coisa de "o que eu quero ser nao existe". Coisa da minha cabeca né? Coisa da costela, coisa da cerveja, coisa do dia que nao acaba nunca. E também nao passa nunca. Tem coisa na sala, tem coisa na varanda, e eu to aqui no quarto. To velho. E nao se tem o que fazer. Nem picar o pé em coisa nenhuma.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

My Family's Role In The World Revolution (1-6)

(#2, Lon Gisland EP)

- Qual o papel de minha família?
Educar-me, tornar-me quem sou, juntamente com minhas escolhas e meu passado (construído por mim mesmo e pelo acaso).

- Quem é minha família?
Meus amigos, meus heróis, meus ícones, minha cultura. Eles são a base para meus sonhos e desejos; estes são a base para a revolução do mundo.

- O que é a revolução do mundo?
"Slow motion popcorn", é transcender continuamente, até o ponto-limite em que se entende, ao entender o mundo não se precisa mais dele, e assim vencemos a revolução - ganhamos o mundo.

- Como transcender continuamente?
Um deve buscar seus próprios meios.


Parte 1
Nos mudamos hoje. Viemos eu e minha família, pela manhã. E já é tarde. Alguma coisa que não conheço me diz que o sol está para se pôr, mas não dou muito crédito a ela. O sol vai ficar mais um tempo no céu, até aquele crepúsculo que tanto esperamos. Mas outra coisa que não conheço, talvez a mesma, me diz que essa mudança não é a primeira pela qual já passamos. Bem, minha família muda com o tempo também. Eu também, aliás. Tudo muda -até bermuda, eu diria. Como aquele poema velho escrito na parede velha da nossa casa nova. Nos mudamos hoje. Nós mudamos hoje. Mudou o cenário, mudou o mundo, o mundo é novo. Esse negócio de mundo novo me deu uma idéia. Algo novo é algo novo para ganhar. Mas guardarei essa idéia para depois. Agora algo me ocorreu e vou pensar em algo diferente... aquelas coisas que acontecem rápido. Pensei no colchão da sala nova, ou nos rabiscos que fiz no meu quarto novo. Nossa casa mudou hoje. Nos mudamos hoje. Todo dia é uma mudança.


Parte 2
Acordei há pouco tempo. E hoje ainda tem cara de ontem; a mudança no fim não é uma mudança de fato. Talvez porque mudamos tão lentamente que nem percebemos quem somos no final das contas. Os momentos de verdadeira revolução devem ser poucos, não sei se já vivi um deles. O tempo tem sido contínuo e não discreto; aquele "ta-ta-ta-ta-ta-ta" interminável é na verdade um "taaaa" interminável. A parede do meu quarto novo velho diz que devo viver a liberdade, conseguir o amor, sentir a harmonia, entender a vida e a morte. Parece difícil. Ninguém disse que não seria. O que fazer a respeito? Vamos começar vivendo a liberdade.


Parte 3
Viver a liberdade é o primeiro que encontrei dos meus próprios meios. O catalisador que começa todo o processo da pipoca em câmera lenta. Um milho de pipoca não tem valor sozinho; ninguém de daria ao trabalho de esquentar óleo para estourar uma única pipoca. Já estourada, uma única pipoca tem algum valor; pode-se comê-la, mesmo que não adiante muito para matar sua fome ou sua vontade de pipocas. Enfim, começa com o processo de focalizar aquelas pipocas na panela, imaginar-se como uma delas, e virar do avesso. Revolucionar a nós mesmos. A revolução do mundo interior é a verdadeira revolução do mundo. Colocando toda nossa casca que nos isola do resto do mundo para dentro, e colocando para fora toda nossa essência branca de amido que nos define e torna quem somos. O amido é nossa identidade. Preciso afirmá-la para poder ser livre. Livre não precisarei mais de minha família, o que não necessariamente significa que vou me desfazer dela. Não, nunca.


Parte 4
Conseguir o amor vem depois. O problema é que não sei o que é amor, na verdade. Minha família já tentou me explicar um milhão de vezes, mas parece ser uma coisa daquele tipo que se recusa a entrar em sua cabeça; simplesmente não faz sentido à primeira vista. Estrelas cadentes, sonhos dentro de sonhos, colo no colchão do canto da sala nova, ou conversas a cinco centímetros de distância, isso sim tem mais lógica. O que há por trás destes pequenos símbolos é aquilo que procuro? Sorrisos. Me parece um bom começo. Sorrisos, carinho, respeito. Imagens inundando a vista. Saudade. Conversas que não parecem ter fim - e não se quer que tenham - olhando para estrelas e estrelas cadentes, proximidade, conforto, bem-estar; borboletas no estômago, cabeça em vários lugares mas atenção em um único, risadas além dos sorrisos. Me parece que tudo isso pode ser chamado de amor. A questão agora é: se a revolução é sobre ser livre, porque o amor nos prende tanto?


Parte 5
A necessidade da revolução começou com duas coisas: a percepção de que tudo era velho se tornando novo - o que também me impeliu a buscar algo novo para mim mesmo - já que eu estava sempre isolado do todo - um todo que é maior que a soma de suas partes. Digressões de lado, o motivo foi alguma canção velha no final de um dia repetido, mas ouvida de forma nova. Raro termos exatamente a mesma sensação diante de uma coisa duas vezes, assim como são raros aqueles momentos em que se olha para o próprio amido com atenção. O amido fica separado do óleo na panela; é importante que se tenha uma tampa nesse momento para evitar a colisão com o chão. Um momento... não, o que eu quero é sair da panela, explorar novas coisas, conhecer mais e melhor, leave the great indoors como uma canção velha diria. Quanto mais eu tento me afastar da revolução, - por preguiça, comodidade ou outro motivo fraco qualquer - mais ela se mostra necessária.


Parte 6
No dilema entre liberdade e amor, terminei encontrando um jeito de juntar os dois. Já ouvi uma vez que o amor só é amor quando é recíproco, do contrário não passa de paixão, obsessão, conforto, não sei quais as outras palavras. Pois eu discordo ao tentar ver as coisas dessa forma. Se o amor deve ser recíproco, ele vai te privar da liberdade; ele vai exigir, e talvez essa exigência seja mais do que o doável e possível. A pressão fora da panela de pipoca é desnecessária; apenas irrita e lhe força a decisões subótimas. O amor devia ser como a família e como o próprio mundo; ele sempre será melhor se não precisarmos dele. Se fica preso com a obrigatoriedade, uma relação de dependência mútua e desesperada é doentia, a proximidade vira uma prisão, as borboletas no estômago se tornam dor de cabeça. Não é isso que eu quero; dores de cabeça em nada vão ajudar na revolução. Que o amor seja leve então, leve, muito leve como pluma que pousa. Não que eu seja obrigado a viver de amor, mas a força que vem dele é uma ajuda inestimável em todo o processo. Sonhos e desejos, é aonde o amor entra no final das contas.

domingo, 29 de agosto de 2010

Diário de um Falcao: parte dezessete

Parte dezessete: bloqueio


Eu nao sei sobre o que escrever, por isso estou escrevendo. O teclado do alemao nao tem til, isso é deselegante. Eu fiquei lendo tópicos do comeco do ano, pura estranhice. Eu liguei pro Melô, - cacar as teclas num teclado alemao é estranho - um velho amigo meu... acho que ele ficou mais velho do que eu conforme o tempo passou. Eu estou velho demais, talvez. O melhor que tá tendo no mercado ainda é a minha casa, já faz um tempo. Estou ouvindo uma música do Paramore que eu nao conhecia. Estou viciado em Paramore. Parece simplesmente que nenhuma outra coisa faz sentido. Na verdade, nada tem feito sentido. Eu estou rodando e procurando o próximo enjoy, quando ele nao acaba nunca. É que eu sinto falta de um tanto de coisas. Dela um pouco, da Tiana e da Tanganiyka um monte, daquelas velhas histórias mais ainda. Porque eu nao gosto das novas? Nostalgia. Insatisfacao perante a nossa galera. Parece que nada é como eu esperava. Aí todo mundo foi pro bronze. E a miau ainda fala como se a porta fosse com a minha cara, eu acho que duvido disso. Coisas distantes, né? O som agora me intriga mais do que a minha vida mesmo, a breja nao acaba, a internet é aquela companhia que nao vai te deixar. Sinto saudade. De um monte de coisa. Inclusive você. Sério.

terça-feira, 23 de março de 2010

Diário de um Falcão, ano dois

Parte... dezesseis? Tudo de novo, outra vez
É engraçado como quando você não tem uma vida boa acaba transformando-a em literatura para de alguma forma tentar torná-la mais suportável. Dessa maneira e com esse propósito eu falei e falei sobre coisas, pessoas, acontecimentos, idéias, sensações. Mas não tenho mais essa obrigação. Como Beckett dizia, a obrigação de falar na esperança de poder me calar um dia. E agora posso. Poderia estar calado. Mas quero falar, e não sobre isso; quero falar sobre o tudo de novo, que é novo por uma outra vez. Tenho uma outra sala agora, tenho outros novos amigos; são outras gostosas, outras brejas da atlética, ela não surge nem de perto com a mesma freqüência. Que bom, eu digo. Essa situação é tudo o que eu precisava afinal. Porque esse lugar novo é o meu lugar de fato, essa casa limpa que não é mais um ninho é o que eu queria no fundo, e até minha barba ruiva que me dava meu nome de falcão se foi. Essa parte não deveria ser a dezesseis, deveria ser a parte um de um novo volume. Escrito com outro propósito que não é me salvar de minhas próprias idéias, e sem peso. Porque é assim que devia ser. E é assim que será. Por no mínimo quarenta e sete vezes.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

My Heart

era novembro, doce novembro.
e ele só pensava nos dez presentes que ela tinha dado.
e nos presentes que ele tinha a oferecer,
sabendo que ela preferia esses presentes como passados.

e aquele dia se passava na infindável busca por um justo presente,
[e na incapacidade de encontrar um que merecesse ser tal.

era como se ele não confiasse,
o velho garoto auto-confiante não confiava em si mesmo.
receava não ser bom o suficiente,
temia não ser amado o bastante,
não queria ser simplesmente algo decepcionante.

e diante daquela lista de dez presentes,
tentativa de fazer jus àqueles que tinha recebido,
viu que tinha algo maior a dar do que aquilo.

"este coração bate, bate tão somente por você.
meu coração é seu."

talvez o presente não tenha sido suficiente,
já virou passado e não se lembram mais quem sabe.
talvez o coração dele tenha sido o presente em que ela mais quis
[estar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Diário de um Falcão, parte quinze

Parte quinze: Férias
Férias pra mim se tornou um negócio estranho. Acontece, quando você sai da escola e descobre o que é a vida de verdade. Uns meses atrás eu estava no meio de um turbilhão de acontecimentos, alguns criados por mim inclusive; hoje, olho esse mesmo turbilhão por uma pequena janelinha. E vendo por essa janelinha, nem parece um turbilhão. A questão é: enquanto do lado de fora continuam acontecendo coisas, do lado de cá não acontece absolutamente nada. Todo dia é igual ao anterior. Antes eu não tinha noção de fim-de-semana porque me divertia em todos os sete dias; hoje não tenho essa mesma noção porque não me divirto em nenhum. É sufocante, é um tédio eterno, e a criatividade some diante disso. Tudo o que vejo é um futuro mais que incerto me esperando enquanto flutuo em direção a ele. Isso, flutuo, não há nem como acelerar o processo. Enquanto isso a incógnita, não sei o que será de nosso império, não sei quais os novos falcões que encontrarei (pois tenho fé que encontrarei), não sei qual vai ser minha reação nos momentos em que encontrar cada pessoa que tenho para encontrar. Ou mais importante, qual será a reação dessas pessoas. Eu não acho que minha vida tenha mudado ou irá mudar muito no espaço de tempo entre sair do império e voltar para lá. Aqui desse lado da janelinha nada muda muito. Só posso esperar uma semana, voltar ao lar, esperar dez dias, ver a maldita lista com os convocados, e aí então posso saber o que imaginar esperar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

doze versos em três estrofes.

conforme as estrelas se tornam mais brilhantes,
cresce o amor de todos os amantes.
nessa noite eles se abraçam e se beijam,
e suas mentes algo mais desejam.

eu apenas queria que com nós dois assim fosse,
então nosso amor seria tão doce.
em minha alma todo o tempo eu te chamo,
isso porque ninguém sabe o quanto eu te amo.

vem ficar comigo, fica do meu lado;
e eu serei eternamente o seu namorado.
a nossa chance é aqui e agora.
não vamos deixar o amor do lado de fora.



já se passaram quatro anos.
engraçado.