terça-feira, 31 de agosto de 2010

My Family's Role In The World Revolution (1-6)

(#2, Lon Gisland EP)

- Qual o papel de minha família?
Educar-me, tornar-me quem sou, juntamente com minhas escolhas e meu passado (construído por mim mesmo e pelo acaso).

- Quem é minha família?
Meus amigos, meus heróis, meus ícones, minha cultura. Eles são a base para meus sonhos e desejos; estes são a base para a revolução do mundo.

- O que é a revolução do mundo?
"Slow motion popcorn", é transcender continuamente, até o ponto-limite em que se entende, ao entender o mundo não se precisa mais dele, e assim vencemos a revolução - ganhamos o mundo.

- Como transcender continuamente?
Um deve buscar seus próprios meios.


Parte 1
Nos mudamos hoje. Viemos eu e minha família, pela manhã. E já é tarde. Alguma coisa que não conheço me diz que o sol está para se pôr, mas não dou muito crédito a ela. O sol vai ficar mais um tempo no céu, até aquele crepúsculo que tanto esperamos. Mas outra coisa que não conheço, talvez a mesma, me diz que essa mudança não é a primeira pela qual já passamos. Bem, minha família muda com o tempo também. Eu também, aliás. Tudo muda -até bermuda, eu diria. Como aquele poema velho escrito na parede velha da nossa casa nova. Nos mudamos hoje. Nós mudamos hoje. Mudou o cenário, mudou o mundo, o mundo é novo. Esse negócio de mundo novo me deu uma idéia. Algo novo é algo novo para ganhar. Mas guardarei essa idéia para depois. Agora algo me ocorreu e vou pensar em algo diferente... aquelas coisas que acontecem rápido. Pensei no colchão da sala nova, ou nos rabiscos que fiz no meu quarto novo. Nossa casa mudou hoje. Nos mudamos hoje. Todo dia é uma mudança.


Parte 2
Acordei há pouco tempo. E hoje ainda tem cara de ontem; a mudança no fim não é uma mudança de fato. Talvez porque mudamos tão lentamente que nem percebemos quem somos no final das contas. Os momentos de verdadeira revolução devem ser poucos, não sei se já vivi um deles. O tempo tem sido contínuo e não discreto; aquele "ta-ta-ta-ta-ta-ta" interminável é na verdade um "taaaa" interminável. A parede do meu quarto novo velho diz que devo viver a liberdade, conseguir o amor, sentir a harmonia, entender a vida e a morte. Parece difícil. Ninguém disse que não seria. O que fazer a respeito? Vamos começar vivendo a liberdade.


Parte 3
Viver a liberdade é o primeiro que encontrei dos meus próprios meios. O catalisador que começa todo o processo da pipoca em câmera lenta. Um milho de pipoca não tem valor sozinho; ninguém de daria ao trabalho de esquentar óleo para estourar uma única pipoca. Já estourada, uma única pipoca tem algum valor; pode-se comê-la, mesmo que não adiante muito para matar sua fome ou sua vontade de pipocas. Enfim, começa com o processo de focalizar aquelas pipocas na panela, imaginar-se como uma delas, e virar do avesso. Revolucionar a nós mesmos. A revolução do mundo interior é a verdadeira revolução do mundo. Colocando toda nossa casca que nos isola do resto do mundo para dentro, e colocando para fora toda nossa essência branca de amido que nos define e torna quem somos. O amido é nossa identidade. Preciso afirmá-la para poder ser livre. Livre não precisarei mais de minha família, o que não necessariamente significa que vou me desfazer dela. Não, nunca.


Parte 4
Conseguir o amor vem depois. O problema é que não sei o que é amor, na verdade. Minha família já tentou me explicar um milhão de vezes, mas parece ser uma coisa daquele tipo que se recusa a entrar em sua cabeça; simplesmente não faz sentido à primeira vista. Estrelas cadentes, sonhos dentro de sonhos, colo no colchão do canto da sala nova, ou conversas a cinco centímetros de distância, isso sim tem mais lógica. O que há por trás destes pequenos símbolos é aquilo que procuro? Sorrisos. Me parece um bom começo. Sorrisos, carinho, respeito. Imagens inundando a vista. Saudade. Conversas que não parecem ter fim - e não se quer que tenham - olhando para estrelas e estrelas cadentes, proximidade, conforto, bem-estar; borboletas no estômago, cabeça em vários lugares mas atenção em um único, risadas além dos sorrisos. Me parece que tudo isso pode ser chamado de amor. A questão agora é: se a revolução é sobre ser livre, porque o amor nos prende tanto?


Parte 5
A necessidade da revolução começou com duas coisas: a percepção de que tudo era velho se tornando novo - o que também me impeliu a buscar algo novo para mim mesmo - já que eu estava sempre isolado do todo - um todo que é maior que a soma de suas partes. Digressões de lado, o motivo foi alguma canção velha no final de um dia repetido, mas ouvida de forma nova. Raro termos exatamente a mesma sensação diante de uma coisa duas vezes, assim como são raros aqueles momentos em que se olha para o próprio amido com atenção. O amido fica separado do óleo na panela; é importante que se tenha uma tampa nesse momento para evitar a colisão com o chão. Um momento... não, o que eu quero é sair da panela, explorar novas coisas, conhecer mais e melhor, leave the great indoors como uma canção velha diria. Quanto mais eu tento me afastar da revolução, - por preguiça, comodidade ou outro motivo fraco qualquer - mais ela se mostra necessária.


Parte 6
No dilema entre liberdade e amor, terminei encontrando um jeito de juntar os dois. Já ouvi uma vez que o amor só é amor quando é recíproco, do contrário não passa de paixão, obsessão, conforto, não sei quais as outras palavras. Pois eu discordo ao tentar ver as coisas dessa forma. Se o amor deve ser recíproco, ele vai te privar da liberdade; ele vai exigir, e talvez essa exigência seja mais do que o doável e possível. A pressão fora da panela de pipoca é desnecessária; apenas irrita e lhe força a decisões subótimas. O amor devia ser como a família e como o próprio mundo; ele sempre será melhor se não precisarmos dele. Se fica preso com a obrigatoriedade, uma relação de dependência mútua e desesperada é doentia, a proximidade vira uma prisão, as borboletas no estômago se tornam dor de cabeça. Não é isso que eu quero; dores de cabeça em nada vão ajudar na revolução. Que o amor seja leve então, leve, muito leve como pluma que pousa. Não que eu seja obrigado a viver de amor, mas a força que vem dele é uma ajuda inestimável em todo o processo. Sonhos e desejos, é aonde o amor entra no final das contas.

domingo, 29 de agosto de 2010

Diário de um Falcao: parte dezessete

Parte dezessete: bloqueio


Eu nao sei sobre o que escrever, por isso estou escrevendo. O teclado do alemao nao tem til, isso é deselegante. Eu fiquei lendo tópicos do comeco do ano, pura estranhice. Eu liguei pro Melô, - cacar as teclas num teclado alemao é estranho - um velho amigo meu... acho que ele ficou mais velho do que eu conforme o tempo passou. Eu estou velho demais, talvez. O melhor que tá tendo no mercado ainda é a minha casa, já faz um tempo. Estou ouvindo uma música do Paramore que eu nao conhecia. Estou viciado em Paramore. Parece simplesmente que nenhuma outra coisa faz sentido. Na verdade, nada tem feito sentido. Eu estou rodando e procurando o próximo enjoy, quando ele nao acaba nunca. É que eu sinto falta de um tanto de coisas. Dela um pouco, da Tiana e da Tanganiyka um monte, daquelas velhas histórias mais ainda. Porque eu nao gosto das novas? Nostalgia. Insatisfacao perante a nossa galera. Parece que nada é como eu esperava. Aí todo mundo foi pro bronze. E a miau ainda fala como se a porta fosse com a minha cara, eu acho que duvido disso. Coisas distantes, né? O som agora me intriga mais do que a minha vida mesmo, a breja nao acaba, a internet é aquela companhia que nao vai te deixar. Sinto saudade. De um monte de coisa. Inclusive você. Sério.

terça-feira, 23 de março de 2010

Diário de um Falcão, ano dois

Parte... dezesseis? Tudo de novo, outra vez
É engraçado como quando você não tem uma vida boa acaba transformando-a em literatura para de alguma forma tentar torná-la mais suportável. Dessa maneira e com esse propósito eu falei e falei sobre coisas, pessoas, acontecimentos, idéias, sensações. Mas não tenho mais essa obrigação. Como Beckett dizia, a obrigação de falar na esperança de poder me calar um dia. E agora posso. Poderia estar calado. Mas quero falar, e não sobre isso; quero falar sobre o tudo de novo, que é novo por uma outra vez. Tenho uma outra sala agora, tenho outros novos amigos; são outras gostosas, outras brejas da atlética, ela não surge nem de perto com a mesma freqüência. Que bom, eu digo. Essa situação é tudo o que eu precisava afinal. Porque esse lugar novo é o meu lugar de fato, essa casa limpa que não é mais um ninho é o que eu queria no fundo, e até minha barba ruiva que me dava meu nome de falcão se foi. Essa parte não deveria ser a dezesseis, deveria ser a parte um de um novo volume. Escrito com outro propósito que não é me salvar de minhas próprias idéias, e sem peso. Porque é assim que devia ser. E é assim que será. Por no mínimo quarenta e sete vezes.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

My Heart

era novembro, doce novembro.
e ele só pensava nos dez presentes que ela tinha dado.
e nos presentes que ele tinha a oferecer,
sabendo que ela preferia esses presentes como passados.

e aquele dia se passava na infindável busca por um justo presente,
[e na incapacidade de encontrar um que merecesse ser tal.

era como se ele não confiasse,
o velho garoto auto-confiante não confiava em si mesmo.
receava não ser bom o suficiente,
temia não ser amado o bastante,
não queria ser simplesmente algo decepcionante.

e diante daquela lista de dez presentes,
tentativa de fazer jus àqueles que tinha recebido,
viu que tinha algo maior a dar do que aquilo.

"este coração bate, bate tão somente por você.
meu coração é seu."

talvez o presente não tenha sido suficiente,
já virou passado e não se lembram mais quem sabe.
talvez o coração dele tenha sido o presente em que ela mais quis
[estar.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Diário de um Falcão, parte quinze

Parte quinze: Férias
Férias pra mim se tornou um negócio estranho. Acontece, quando você sai da escola e descobre o que é a vida de verdade. Uns meses atrás eu estava no meio de um turbilhão de acontecimentos, alguns criados por mim inclusive; hoje, olho esse mesmo turbilhão por uma pequena janelinha. E vendo por essa janelinha, nem parece um turbilhão. A questão é: enquanto do lado de fora continuam acontecendo coisas, do lado de cá não acontece absolutamente nada. Todo dia é igual ao anterior. Antes eu não tinha noção de fim-de-semana porque me divertia em todos os sete dias; hoje não tenho essa mesma noção porque não me divirto em nenhum. É sufocante, é um tédio eterno, e a criatividade some diante disso. Tudo o que vejo é um futuro mais que incerto me esperando enquanto flutuo em direção a ele. Isso, flutuo, não há nem como acelerar o processo. Enquanto isso a incógnita, não sei o que será de nosso império, não sei quais os novos falcões que encontrarei (pois tenho fé que encontrarei), não sei qual vai ser minha reação nos momentos em que encontrar cada pessoa que tenho para encontrar. Ou mais importante, qual será a reação dessas pessoas. Eu não acho que minha vida tenha mudado ou irá mudar muito no espaço de tempo entre sair do império e voltar para lá. Aqui desse lado da janelinha nada muda muito. Só posso esperar uma semana, voltar ao lar, esperar dez dias, ver a maldita lista com os convocados, e aí então posso saber o que imaginar esperar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

doze versos em três estrofes.

conforme as estrelas se tornam mais brilhantes,
cresce o amor de todos os amantes.
nessa noite eles se abraçam e se beijam,
e suas mentes algo mais desejam.

eu apenas queria que com nós dois assim fosse,
então nosso amor seria tão doce.
em minha alma todo o tempo eu te chamo,
isso porque ninguém sabe o quanto eu te amo.

vem ficar comigo, fica do meu lado;
e eu serei eternamente o seu namorado.
a nossa chance é aqui e agora.
não vamos deixar o amor do lado de fora.



já se passaram quatro anos.
engraçado.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Diário de um Falcão, partes dez a catorze


Parte dez: Sobre a história do império, e sobre insônia

Já falei sobre o orgulho, e pelos rolês, mas toda vez que haviam pessoas, várias, sorrindo aqui em casa, eu ficava um tanto orgulhoso. Mesmo que não tivesse sido o responsável por trazer ninguém, mas me empenhava em divulgar e avisar todo mundo, e aí ficava andando pela casa e sorrindo das pessoas sorrindo. Era o que eu queria, no final das contas, um open bar de alegria. E quando o open bar de brejas da atlética acabou, me senti um pouco mais distante a cada dia. Talvez, por opção; precisava organizar os pensamentos, e tinha uma prova para fazer também. E provas para fazer dão insônia. Assim como saber que você logo vai mudar de casa. Mudei a primeira vez quando deixei a casa da mamãe e fui para um apartamento, morava com quatro pessoas. Então juntamos com mais duas e fomos morar numa casa que tinha uma sala do tamanho do apartamento inteiro. E mais quatro pessoas moravam numa casa que não era muito maior do que aquele apartamento. Então nos juntamos, com mais uns perdidos do caldeirão do inferno aqui e ali, e nos mudamos para uma casa que era simplesmente enorme. Simplesmente um império. E é deste que falo. E lembro que já tive o mesmo sonho duas vezes, – algo raro, um sonho meu se repetir – em que nosso império era simplesmente duas vezes maior. Inimaginável. E nesse sonho, eu não morava no setor lan house, e sim em um quarto gigante com poltronas e pufes por todo lado, e uma beliche que ao invés da cama de baixo, tinha uma escrivaninha. Igual a uma que vi na Tok & Stok uma vez, em um dos inúmeros rolês que fiz sozinho. É bom andar sozinho por aí, você pensa bastante na vida. E ficar com insônia, idem. Exceto que é melhor ainda dormir um tanto que seja para ficar recuperado para fazer uma prova que vai decidir o próximo ano da sua vida. 2010, o ano do falcão. Em que já pensei a respeito um tanto, ainda penso, e ainda vou pensar bastante. Enquanto esses longos meses que faltam para fevereiro não passam. Longos meses para os quais não espero nada mais do que um pouco de diversão. Coisa que não tive nos últimos três dias, quase nenhuma. E enquanto isso, um cigarro atrás do outro. Preciso me lembrar de guardar alguns para amanhã. E preciso também fazer alguma coisa que me dê sono imediatamente.


Parte onze: O escritório do banza, outrora carinho
Já é sábado; a semana passou em um piscar de olhos, e eu nem vi. Inconscientemente tirando uma folga de tudo o que tinha acontecido, conscientemente tudo continua igual. Exceto pelo escritório, que foi redecorado, e agora pode se passar perfeitamente por uma instalação de arte moderna e surreal; obra minha e de condor e garra ferida. É que é fácil e tentador ficar lembrando para sempre daquela noite no escritório, a última antes de eu conseguir estragar tudo, deitado sobre uma coberta no chão, e ela em cima de um colchão de ar que antes era o único objeto naquele cômodo. Agora vejo na parede uma coleira, um rolo de fita isolante, um celular com carregador, uma miríade de objetos inúteis. E de novo pensei na escolha que fiz, sem querer, aquela do começo do diário. Todos os dias eu penso naquilo, queria parar logo, é algo que não tem fim e nem conserto, é a pior situação de todas. Eu poderia ter tido aquele carinho único daquela noite no escritório por mais tempo, "a gente devia ter passado por isso antes de namorar", mas não foi o que aconteceu. E meu coração murchou. E minha vontade também, e estou com uma preguiça infernal de ir pegar um pouco de água na cozinha. Se pelo menos fosse uma breja da atlética, ou essa água não fosse para mim... mas é melhor não dizer nada, torna tudo mais fácil. Um dia acreditei nisso. E agora tenho um milhão de coisas para dizer, e ninguém para escutar. Um milhão de coisas para ler, e ninguém para contar sobre elas; para escrever tenho pouco, mas ainda espremo cada idéia e cada palavra e desesperadamente transformo em um diário. Que ninguém vai ler. E nesse único momento eu me sinto mais sozinho do que nunca; estou certo, ou errado? Ninguém para responder. Só queria uma palavra de alguém, que fosse especificamente para mim, e para me deixar melhor. É pedir demais, né, ou isso não existe? Alguém pode me deixar melhor, ou ao menos bem? Essa luta infernal continua e não pára nunca, Thanatos no talo, preguiça já tomando a dimensão do que se chama depressão. É fim de ano, as pessoas somem, o open bar de alegria rapidamente se torna um closed bar. E parece que fecharam as portas atrás de mim, bem na hora em que fui fumar um cigarro lá fora, ou qualquer coisa assim.


Parte doze: Romance
Top 5 filmes brasileiros (fora de ordem): Cidade de Deus, A Máquina, Romance, Central do Brasil, Saneamento Básico. O primeiro conta uma história que só poderia ser contada em um filme brasileiro; várias histórias paralelas e que se cruzam, aliás, e isso é algo que considero muito em uma obra. É como a vida, afinal, várias histórias que se cruzam. O segundo conta uma história fantasiosa, bonitinha, simples, e com o tipo de poética de cinema – fotografia, cenas, diálogos e partes cantadas – que é o próprio resumo da arte. O terceiro é um drama, sobre amor. Ou sobre romance? Há diferença? O quarto é um drama, mas sobre família, e cuidado, e jornada. Jornada também é algo que considero. Bem, o livro que escrevi antes desse falava sobre isso, histórias paralelas e jornadas. E o último filme do top 5 é um filme sobre fazer um filme, engraçadíssimo, e bobo. Que fique claro que bobo não é um termo pejorativo. Coisas bobas fazem bem, nos tiram (nem que seja por alguns momentos) do drama que termina sendo nossa vida. Drama que começa com amor, amor que começa com romance. Como disse Wagner Moura, "estar apaixonado é estar sofrendo por amor, e gostar disso". Começa com um encontro casual criado pelas forças do acaso, a chamada conjuntura cósmica; e então se torna, inconscientemente, um jogo de sedução e flerte. Que termina quando alguma das partes comete o erro de se apaixonar. Então a paixão vira amor, e o amor vira rotina. Alguma parte da população humana se diverte com a rotina, ela os tranqüiliza e acalma; outra parte odeia a rotina e abandona o amor quando ele chega a esse ponto. E então passa algum tempo brokenhearted, até outra conjuntura acontecer, e tudo começar de novo.De novo, e de novo, e nunca igual. Mas sempre a mesma velha história, repetida desde o século XII. Aquela velha história de que o amor é impossível.


Parte treze: Sobre o palácio do príncipe
Silêncio. O que lá esteve, está, ou ficou, não é para ser contado, ou ao menos preservado.


Parte catorze: O que é o fim?
Um diário é algo que deve ter um começo, meio, e fim? Se o que ele conta é uma história, não faz sentido que termine... a história pessoal de nosso diário de cada um não tem um fim, e quando ela tem, o diário já não é mais escrito. E se o que esse diário conta não é nossa história, e sim nossas impressões sobre essa história, faz sentido também que elas tenham um fim, mesmo que nossas impressões, opiniões, julgamentos e juízos de valor sobre toda coisa no mundo não parem nunca? Não faz sentido um diário ter final. Mas bem que eu queria um final. È muito saudável dar um fim a uma história, quando esse fim deixar espaço para outra começar, e de novo, e de novo. Finais do tipo felizes para sempre tiram essa possibilidade. E as coisas não são feitas para durarem para sempre, isso é uma falsa idéia a respeito na maior parte do tempo. E queria que a história pudesse ser dividida em partes, quer dizer... não a história que conto, mas a história que dá origem à história que já é contada, e também já dividida em partes. Parte quinze, chegou sua vez. Parte catorze, por favor acabe logo. Ano, mês, ciclo, seja lá como chame essa parte que é a presente em minha história, por favor... acabe logo.